Magda Kaufmann
magdakaufmann@hotmail.com
Semanas antes do carnaval o caos já começa a se instalar em Salvador. O trânsito fica insuportável em virtude do vai e vem de veículos transportando material para tapumes, camarotes, decoração, entre outros. A cidade fica engessada.
Mas, é durante o festejo que o cidadão, residente próximo e na passagem dos trios, é obrigado a abandonar sua casa ou a conviver com o mau cheiro de lixo, dejetos humanos e com o barulho ensurdecedor dos trios. Pessoas idosas ou doentes? Pouco importa. Ninguém pergunta se têm condições físicas, psíquicas ou financeiras para saírem durante uma semana de seus lares. O direito de ir e vir não se aplica aos que residem no percurso da festa.
Eu sempre me pergunto se é justa a ditadura do carnaval. Se não seria possível conciliar a alegria da festa, com o bem estar e o respeito aos direitos do cidadão, os quais são, praticamente, suspensos durante o reinado momesco.
É sempre estranho verificar como tudo tem dois pesos e duas medidas, de acordo com as épocas ou conveniências. Há poucos dias, duas turistas foram abordadas no Porto da Barra por estarem de topless... E o que acontece no carnaval? São seios diferentes?
Um grupo de turistas, no aeroporto do Rio de Janeiro, foi preso e processado por terem ficado de roupas intimas em um canto do saguão, enquanto trocavam de roupa. Foi um verdadeiro absurdo, digno de noticiário nacional e internacional. Quanta moralidade!
O nudismo é diferente durante o período do carnaval? Ou tudo isto é uma grande hipocrisia?
O cidadão deve obedecer leis durante todo o ano. Ele também deve ser respeitado durante todo o ano. Uma festa não pode e não deve motivar a suspensão dos direitos e das leis de uma convivência social. Não podemos admitir que a alegria de alguns se transforme no inferno de outros.
Estranhamente na mídia, só se ouve falar da alegria, da música e só se contabilizam os lucros. A cobertura jornalística não aborda e, parece até temerosa, em colocar para a opinião pública, o outro lado. O lado do silêncio, do sofrimento, dos prejuízos, das mega quantias investidas. Estes são esquecidos, omitidos ou relegados a um segundo plano.
Nem todo comércio pode festejar a passagem do carnaval. Muitos passam por graves problemas financeiros. Vem seus estabelecimentos fechados ou paralisados durante uma semana, em um mês que já é curto. Como fazer frente às despesas fixas?
Acredito que toda essa problemática, dentre outras, deva ser levantada pelos formadores de opinião e colocada para reflexão geral. É preciso enxergar o outro lado da festa. Chega de macro cobertura jornalística, onde tudo é oba-oba.
E, por último não vamos esquecer que o seu direito termina onde começa o do próximo!
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
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